Ontem fui abraçada de forma tão calorosa, que me senti extremamente bem o resto do dia, estampei um sorriso na cara que frustração nenhuma fora capaz de destruir, foi uma das poucas ocasiões em que me senti inteira. Aquele foi um dia memorável.
Hoje meu estômago me atacou tão fortemente que a dor me mantém aqui nessa cama, parada, apática, as lembranças de ontem fazem de mim uma criança chorona, busco em mim a felicidade de ontem e me sinto cada vez mais vazia, as lágrimas rolam e eu não sei ao certo o porquê, sei que choro, sei que estou desolada, sei que estou sozinha.
Este sentimento de hoje faz-me recordar da semana passada, quando andava sozinha pela rua e olhos me atingiram com uma frieza descomunal, apavorei. Tentei desesperadamente gritar, tentei chorar ou me mover, mas meu corpo não atendia nenhum dos meus pedidos. Aquilo que eu sentia era descomunal.
Senti-me bem horas depois, acompanhada por amigas jogava palavras vazias no quarto, tentando encher mais o espaço que já fora totalmente preenchido pelo sentimento ali presente. Eu sorria, não sorria como ontem, mas qual sorriso é igual ao outro? Não que este venha a ser menor que aquele, não pode compará-los, cada um me afetava de maneira diferente.
O resto da semana fora indiferente para mim, um dia atrás do outro, nada memorável, sorrisos simples, lágrimas simples e escassas, tão escassas que até dessas senti falta.
Sorrisos amarelos consigo forçar, mas e as lágrimas, por quê não?
Coisas que sinto e nem sempre entendo. Acho que é esse o significado de sentimento.