Sentimentos

Ontem fui abraçada de forma tão calorosa, que me senti extremamente bem o resto do dia, estampei um sorriso na cara que frustração nenhuma fora capaz de destruir, foi uma das poucas ocasiões em que me senti inteira. Aquele foi um dia memorável.

Hoje meu estômago me atacou tão fortemente que a dor me mantém aqui nessa cama, parada, apática, as lembranças de ontem fazem de mim uma criança chorona, busco em mim a felicidade de ontem e me sinto cada vez mais vazia, as lágrimas rolam e eu não sei ao certo o porquê, sei que choro, sei que estou desolada, sei que estou sozinha.

Este sentimento de hoje faz-me recordar da semana passada, quando andava sozinha pela rua e olhos me atingiram com uma frieza descomunal, apavorei. Tentei desesperadamente gritar, tentei chorar ou me mover, mas meu corpo não atendia nenhum dos meus pedidos. Aquilo que eu sentia era descomunal.

Senti-me bem horas depois, acompanhada por amigas jogava palavras vazias no quarto, tentando encher mais o espaço que já fora totalmente preenchido pelo sentimento ali presente. Eu sorria, não sorria como ontem, mas qual sorriso é igual ao outro? Não que este venha a ser menor que aquele, não pode compará-los, cada um me afetava de maneira diferente.

O resto da semana fora indiferente para mim, um dia atrás do outro, nada memorável, sorrisos simples, lágrimas simples e escassas, tão escassas que até dessas senti falta.

Sorrisos amarelos consigo forçar, mas e as lágrimas, por quê não?

Coisas que sinto e nem sempre entendo. Acho que é esse o significado de sentimento.

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Dia logo

- Oi

- Oi

- Então,disseram que você gosta de mim…

- Que bom, me pouparam

- E então?

-Agora eu sou seu, faça o que quiser de mim.

- Posso te amar por vinte anos, e depois partir seu coração.

- Parece bom pra mim.

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Diversidade: O Plano

Comparar-nos-ei a bancos de dados, vejo metáforas como chaves para o maior entendimento do ser humano. Este que como um banco de dados, quando analisado em toda sua magnitude é único.

Com toda essa unicidade, continuamos dependentes, temos a necessidade de formar pares, trios, tribos, gangues. Temos a necessidade eminente de trocar dados, compartilhar  freqüências e assim nos sentirmos conectados à outros bancos.

Quanto maior a quantidade de dados compartilhada, maior é a afinidade, essa que cresce de forma exponencial, ligando cada vez mais os bancos, dando a dupla aquela sensação de unicidade já conhecida, onde recomeça a busca por outros bancos.

Assim então é instituída a sociedade, seres únicos tentando, mesmo que de forma pífia, fugir da unicidade a qual estão fadados por sua própria estrutura.

Somos então sós, mesmo em bandos acabamos representando apenas um.

Por esse motivo somos tão apegados as diferenças, ela é a principal das maneiras desesperadas de conseguirmos ser mais que um. Diversidade forma o plural.

Devemos então aceitar todas as formas de ser um. Se fizermos com sucesso, seremos um grupo de únicos, um grupo diverso que quando somado forma todas as faces da humanidade.

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O Propósito da Segunda.

Não gostava das segundas-feiras. Não gostava por indução, uma vez que ninguém gosta por qual razão eu iria gostar?

Assim pensava por não conhecer o propósito da segunda-feira:

Iniciam-se as aulas, o trabalho, o regime, os problemas, as burocracias, a rotina

Segunda-feira morre aquele espírito de vadiagem que vem do final de semana, aquele saudosismo das melhores 48 horas da semana. Mesmo que não tenha feito nada, que tenham sido dias pífios.

Domingos são estagnados, nas segundas as engrenagens rodam, é dia de mais: conversar mais, propor mais, pedir mais, produzir mais, odiar mais, amar mais.

Segunda é o dia de visitar os bancos, avaliar os danos, mudar de estratégia.

Todos os planos voltam à ativa, mesmo que apenas por um dia acreditamos que poderemos fazer tudo funcionar.

Todos acordam excitados, mesmo que pela raiva desse dia que ora é extensão de domingo, ora é apenas uma interminável segunda-feira em que as horas se multiplicam tal qual nossa vontade de voltar para casa, voltar pro conforto do final de semana.

Agora sou neutra a segunda-feira. Digo neutra para não dizer oscilante, vacilo sempre entre o amor e o ódio, sempre com respeito ao dia. Um brinde à segunda por um blog de segunda.

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